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04 de Maio de 2026

Rabdomiólise por exercício: o risco oculto por trás do treino levado ao extremo

Foto: Freepik

A busca por superar limites no esporte ganha cada vez mais visibilidade nas redes sociais, com recordes pessoais e desafios de alta intensidade. No entanto, por trás dessa cultura de performance, existe um risco pouco conhecido do público geral: a rabdomiólise induzida pelo exercício, uma condição grave que resulta da destruição das fibras musculares.

“A rabdomiólise ocorre quando há uma lesão muscular aguda, que libera componentes intracelulares na corrente sanguínea, como a proteína mioglobina”, explica Washington Alves, profissional de Educação Física da UBS Jardim Lídia, gerenciada pelo CEJAM.

“Em excesso, a proteína pode sobrecarregar e levar à insuficiência renal. Outras substâncias, como a creatina quinase (CK) e o potássio, também são liberadas e podem provocar alterações metabólicas relevantes, incluindo arritmias cardíacas”, completa.

O esforço físico extremo é um dos principais gatilhos, especialmente quando combinado à falta de preparo adequado, desidratação, recuperação insuficiente, exposição ao calor ou ambientes pouco ventilados. O consumo de álcool, o uso de determinados medicamentos e condições clínicas prévias também elevam o risco.

Essa preocupação ganha força em um cenário de aumento da prática de atividade física no país. Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que 40,6% dos adultos brasileiros atingem o nível recomendado no tempo livre, número que vem crescendo na última década. Além disso, tendências apontam os treinos de alta intensidade entre os mais populares atualmente.

“O organismo responde ao estímulo do exercício, mas precisa de um intervalo para se reconstruir. É nesse processo de recuperação que a evolução acontece”, afirma Washington.

Segundo o especialista, o problema não está na intensidade, mas na repetição do esforço sem a devida recuperação. “O risco começa quando treinar em estado de exaustão e ignorar a dor vira um padrão. O corpo deixa de se adaptar e passa a emitir sinais de alerta.”

Sinais de alerta: do desconforto ao risco iminente

Os primeiros sintomas podem ser confundidos com dores comuns do pós-treino, mas é fundamental estar atento a manifestações que fogem do padrão:

- Dor muscular desproporcional: persistente e, por vezes, incapacitante, dificultando movimentos simples.
- Fraqueza e rigidez: perda de força e dificuldade em contrair ou relaxar o músculo afetado.
- Inchaço (edema) e sensibilidade na região muscular.
- Urina escura: sinal clássico de alerta, com coloração semelhante à de um refrigerante de cola, indicando a presença de mioglobina.
- Sintomas sistêmicos: mal-estar generalizado, náuseas, vômitos e cansaço extremo.

“É crucial notar que a urina escura, embora seja um sinal clássico, pode não estar presente em todos os casos, o que tende a atrasar o diagnóstico. Ao identificar um conjunto desses sintomas, a avaliação médica imediata é indispensável”, complementa o profissional.

Prevenção: o equilíbrio entre esforço e descanso

A lógica da superação constante, muitas vezes leva à negligência do descanso, parte essencial de qualquer programa de treinamento.

“Muitas pessoas ainda associam dor à eficácia, o que é um equívoco perigoso. Existe uma diferença clara entre o esforço que gera adaptação e o excesso que leva à lesão”, alerta o especialista.

Na maioria dos casos, a condição pode ser evitada com medidas básicas:

- Respeitar a progressão gradual em volume e intensidade.
- Manter uma hidratação adequada antes, durante e após o exercício.
- Garantir períodos de descanso suficientes para a recuperação muscular.
- Evitar treinar em condições ambientais extremas (calor e umidade elevados) ou locais sem ventilação adequada.
- Reconhecer os sinais de exaustão e saber a hora de parar.

Embora a rabdomiólise seja considerada uma condição rara na população geral, sua gravidade exige atenção. “O segredo para um progresso seguro e duradouro não é treinar até o limite todos os dias. Pelo contrário, é o equilíbrio que garante resultados e, acima de tudo, preserva a saúde”, finaliza.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

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