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09 de Junho de 2026
Foto: Magnific
A chegada de um bebê traz uma série de mudanças e adaptações, especialmente relacionadas aos cuidados com o recém-nascido. Ao mesmo tempo, o pós-parto também demanda atenção especial à saúde de quem passou por uma gestação.
Entre dores físicas, alterações hormonais, privação de sono e oscilações emocionais, o organismo passa por um processo interno de recuperação que pode durar semanas ou meses.
Dados recentes reforçam a necessidade de ampliar o olhar para esse período. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.347 mortes em 2024. Grande parte dessas ocorrências acontece justamente durante a gravidez ou até 42 dias após o parto, período conhecido como puerpério.
Para o Dr. André Clemente, ginecologista e obstetra do Hospital Maternidade Paulino Werneck, do Rio de Janeiro, a recuperação precisa deixar de ficar em segundo plano. “Existe uma expectativa social de que a pessoa no pós-parto deve estar feliz o tempo todo e se recupere rapidamente, mas o puerpério é um período de grande impacto físico e emocional. O corpo passou por meses de adaptação e por um evento intenso que é o parto, seja ele natural ou cesárea. É mais que necessário que exista um tempo de recuperação”, explica.
Recuperação física: o corpo leva tempo para se reorganizar
Nas primeiras horas e dias após o parto, o organismo inicia uma série de mudanças para retornar gradualmente às condições anteriores à gravidez. O útero começa a diminuir de tamanho, há eliminação de sangue e secreções, mudanças hormonais bruscas e adaptações na amamentação.
Entre os sintomas físicos mais comuns estão sangramento vaginal intenso nos primeiros dias, cólicas uterinas, dores na região íntima ou na cicatriz da cesariana, inchaço, constipação, cansaço extremo e desconforto nas mamas. “A recuperação não é automática. O corpo precisa de repouso, hidratação, alimentação adequada e acompanhamento médico. Cada pessoa terá um processo diferente”, afirma Dr. Clemente.
O especialista também alerta para sinais que não devem ser ignorados, como febre, sangramento excessivo, dor intensa, pressão alta, dificuldade para respirar, desmaios ou secreção com odor forte.
Recuperação emocional: os desafios psicológicos do pós-parto
Além das transformações físicas, o puerpério também representa uma fase de grande vulnerabilidade emocional. A queda hormonal somada ao cansaço, às mudanças na rotina e às novas responsabilidades relacionadas aos cuidados com o bebê, podem gerar sofrimento psicológico significativo. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 25% das pessoas gestantes no Brasil apresentam sintomas de depressão pós-parto, índice considerado elevado em comparação à média global.
Nos primeiros dias, é comum ocorrer o chamado “baby blues”, quadro caracterizado por choro frequente, irritabilidade, insegurança e sensibilidade emocional. Porém, quando os sintomas persistem ou se intensificam, é fundamental buscar ajuda especializada.
“Muitas pessoas sentem culpa por não conseguirem viver o pós-parto da forma que ele costuma ser retratado nas redes sociais. Falar sobre exaustão, medo, dor e sofrimento emocional ainda é um tabu. Precisamos acolher essas vivências e reforçar que pedir ajuda faz parte do cuidado”, destaca o médico.
O especialista reforça que a rede de apoio e o acompanhamento multiprofissional fazem diferença tanto na recuperação física quanto emocional. “O nascimento de um bebê também marca o início de uma nova etapa de vida, que exige atenção, escuta e suporte para atravessar esse período com segurança”, finaliza.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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